Uma tradição japonesa milenar encontrou espaço – e criou raízes – no interior do Paraná há mais de quarenta anos. Trata-se do “Tooro Nagashi”, ritual que homenageia familiares que se foram por meio de lanternas flutuantes nas águas.
A cerimônia, de origem budista, se tornou uma das principais manifestações culturais de Carlópolis (PR), cidade do Norte Pioneiro com cerca de 16 mil habitantes, e que mantém forte influência da comunidade nipo-brasileira formada após a Segunda Guerra Mundial.
O evento foi realizado no último sábado (25), reunindo centenas de pessoas em uma celebração que misturou saudade, fé e respeito. Cerca de mil lanternas foram lançadas na Represa Chavantes, na divisa com o estado de SP, iluminando o caminho dos ancestrais e emocionando os presentes.
De acordo com Lucas Xavier, membro da diretoria da Associação Cultural e Esportiva de Carlópolis (Acecar), cada lanterna é feita com uma vela sobre uma base de madeira coberta por papel manteiga colorido, criando um efeito visual marcante na água.
Antes da cerimônia principal, o dia foi marcado por celebrações organizadas pela Acecar, como a recepção dos convidados, cerimônia religiosa budista e jantar com comidas típicas japonesas. Durante o culto, os nomes dos antepassados foram lidos por um monge como forma de agradecimento e pedido de bênçãos.
Os 65 associados da Acecar, entre japoneses e descendentes, produziram os Tooros dias antes da celebração. A participação foi tão grande que um caminhão foi utilizado para transportar as lanternas até a represa.
Há quatro décadas na região
O ritual do “Tooro Nagashi” foi iniciado em Carlópolis em 1982, com os imigrantes japoneses Katsuo Yamamoto, Sunao Ito, Takai Minoro, Saito Iti e Saito Issaburo. A vinda deles ao Brasil foi após a 2ª Guerra Mundial, em busca de uma nova vida e mantendo vivas as tradições culturais.
Katsuo Yamamoto, por exemplo, chegou ao país em 1949. Aos 90 anos, Kenzi Yamamoto, filho dele, permanece em Carlópolis e ainda participa das celebrações.
Ao G1, Yamamoto contou que toda cerimônia é bonita e que a memória não permite mais que ele se lembre de detalhes do primeiro Tooro Nagashi que celebrou com a família no Paraná. Entretanto, não esquece do passo a passo para montar cada “barquinho”.
“Corta a tábua com mais ou menos 25 centímetros, põe a vela e cola o papel. Esse é o serviço do homem, o homem ajuda a fazer”, disse, em declaração ao site.







