
A notícia da possibilidade da construção de mais um presídio no Norte Pioneiro do Paraná foi motivo de uma grande polêmica na última semana. A obra seria realizada na cidade de Carlópolis (PR), na divisa com o estado de SP, e abrigaria até 800 detentos. Com discussões e insatisfação de grande parte dos moradores, o projeto foi rejeitado pela gestão municipal. O caso foi destaque na Folha Extra.
O assunto vinha sendo motivo de discussões e preocupações entre os moradores. Muitos afirmaram que o projeto traria apenas impactos negativos para a cidade, que se consolida como um importante ponto turístico do Norte Pioneiro. Relatos apontam que até mesmo um movimento contra o projeto foi realizado na cidade.
Com a dimensão que o assunto se tornou, o prefeito de Carlópolis, Nilton Meira (PSD), e o vice-prefeito, Fabiano Barbosa (PP), publicaram um vídeo na última quinta-feira (25) esclarecendo alguns pontos do projeto. Durante a gravação, os representantes do Executivo afirmaram que não tomariam qualquer decisão sem antes consultar os vereadores e a população sobre o assunto.
Segundo o que disse o prefeito, a cidade receberia um investimento de R$ 70 milhões para a construção. “Ainda não há nenhuma definição”, afirmou o prefeito.
Nilton ainda explicou que o ofício encaminhado se tratava apenas da manifestação de interesse no projeto, para colocar Carlópolis como eventual candidata e possibilitar a discussão “pública da questão, sem nenhum aspecto de adesão irrevogável ao projeto”.
Junto com a construção da unidade, o ofício também manifestava um pedido do Executivo, em busca da desativação da atual Cadeia Pública de Carlópolis, que hoje abriga cerca de 100 presos dentro da cidade.
Porém, muitos moradores demonstraram forte insatisfação com a ideia, e não aceitaram que a cidade recebesse a obra. “Acho que isso não deveria nem ter sido pensado, já que não é o padrão de uma cidade turística”, disse um morador em declaração repercutida pela Folha Extra.
Rejeição
Após as polêmicas e discussões na cidade, o prefeito se reuniu com os vereadores para discutirem o assunto. A reunião aconteceu na manhã da última sexta-feira (26), e resultou na rejeição e reprovação do projeto.
“Durante a reunião, foram apresentados os possíveis impactos da construção de uma unidade prisional em Carlópolis. Entre os argumentos favoráveis, destacou-se a geração de empregos e a movimentação da economia local. Já entre as preocupações, estiveram em evidência os riscos à segurança da população, a sobrecarga nos serviços públicos e a possível desvalorização de imóveis próximos à área destinada para a obra”, explicou a prefeitura.
Caso confirmada, esta seria a segunda penitenciária na parte parananese da região. Em Ribeirão Claro, as obras para construção de um presidio começaram em maio do ano passado, e estão avançadas, com previsão de inauguração até maio do ano que vem.
O investimento total desta obra é de R$ 51,5 milhões. A estrutura é semelhante à que seria construída em Carlópolis, com capacidade para receber 800 detentos, contando com automação e tecnologia, que possibilitará melhor monitoramento e maior segurança, dentro e fora do presídio.
Além das áreas de segurança, estão projetadas a construção de dois barracões para elaboração de canteiros de trabalho, inclusive de panificação e lavanderia. A construção faz parte de um investimento de mais de R$ 120 milhões na segurança pública do Paraná. Os recursos serão usados para projetos e obras, além da aquisição de armas e equipamentos.
Segundo a Secretaria Estadual das Cidades (Secid), a construção do presídio vai facilitar também a transferência de presos de unidades carcerárias localizadas em outras comarcas da região, como Londrina, Cambará, Jacarezinho e Santo Antônio da Platina, entre outras, algo que também ter se tornado uma realidade em Carlópolis.





