Municípios e estados devem guardar as vacinas contra dengue do Butantan até uma nova orientação do Ministério da Saúde. (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Municípios e estados devem guardar as vacinas contra dengue do Butantan até uma nova orientação do Ministério da Saúde. (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)


A suspensão temporária da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan colocou em evidência uma série de casos adversos registrados após a imunização. Entre eles está a morte de uma moradora de Paranapanema, cidade localizada na região sudoeste de SP, que passou a integrar as investigações conduzidas pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Ângela Diniz Marques, de 48 anos, recebeu a vacina em 29 de janeiro deste ano e morreu em 1º de março. A família afirma que houve falhas no atendimento médico prestado após o surgimento dos sintomas e cobra esclarecimentos sobre a condução do caso. Paralelamente, a Prefeitura de Paranapanema instaurou sindicância para apurar as alegações, enquanto a Polícia Civil investiga possível negligência.

O caso ganhou repercussão nacional após o Ministério da Saúde anunciar, na última segunda-feira (8), a interrupção preventiva da aplicação da vacina do Butantan. A medida foi adotada após o registro de 42 reações adversas consideradas severas entre mais de 500 mil pessoas imunizadas. Desses casos, três foram classificados como graves, incluindo duas mortes que ainda estão sob investigação.

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Como consequência, o Governo Federal determinou que estados e municípios mantenham todas as doses já distribuídas armazenadas e suspendeu o envio de novos lotes até a conclusão das análises. Segundo o Programa Nacional de Imunizações (PNI), a decisão é cautelar e busca permitir uma investigação aprofundada dos eventos registrados, considerados raros e não identificados durante os estudos clínicos da vacina.

Família alegou, em entrevista ao G1, que Ângela foi vítima de negligência médica. (Foto: Arquivo pessoal via G1)

Apesar da suspensão, autoridades sanitárias e especialistas ressaltam que ainda não existe comprovação de que os óbitos tenham sido causados pela vacina. A Anvisa deve reunir especialistas para investigar possíveis fatores de risco, comorbidades e outras circunstâncias que possam ter contribuído para os desfechos.

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Segundo o Instituto Butantan, a vacina passou por todas as etapas exigidas de testes clínicos antes de ser aprovada. Estudos com milhares de voluntários apontaram eficácia significativa na prevenção da dengue grave e não identificaram problemas de segurança capazes de prever os eventos atualmente investigados.

Foram registrados óbitos recentes de pessoas que receberam o imunizante. (Foto: Divulgação)
Foram registrados óbitos recentes de pessoas que receberam o imunizante. (Foto: Divulgação)

Reportagens recentes publicadas pelo G1 e pela BBC Brasil destacam que situações raras podem surgir apenas após o início da vacinação em larga escala, quando milhões de pessoas passam a ser monitoradas por sistemas de farmacovigilância. Esse acompanhamento contínuo é justamente o mecanismo utilizado para identificar eventos incomuns e orientar eventuais ajustes nas estratégias de imunização.

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Enquanto as investigações seguem em andamento, o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas há menos de 21 dias observem possíveis sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura ou piora do estado geral, procurando atendimento médico em caso de necessidade. Já quem recebeu a vacina há mais de 21 dias permanece protegido e fora do período considerado de risco para reações relacionadas ao imunizante.

Tanto o Governo Federal quanto o Instituto Butantan reforçam que a suspensão não representa uma condenação da vacina nem invalida os resultados obtidos até agora. A retomada da vacinação dependerá das conclusões das análises científicas e epidemiológicas que estão sendo realizadas.

Enquanto as investigações seguem em andamento, o Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas há menos de 21 dias observem possíveis sintomas. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)